Fidel Castro: O leão ateu das Américas

Antropologia/política

“…O herói viceja na tragédia. Sem a tragédia, como haveria feitos heróicos? Daí vermos o governante solar glorioso compelido a suscitar a guerra…” Dane Rudhyar in “Tríptico Astrológico”

Foto: Leão de Ouro, símbolo mítico da força, justiça e honra. PD4 Pic.

Foto: Leão de Ouro, símbolo mítico da força, justiça e honra. PD4 Pic.

“Generoso, bondoso, fiel e carinhoso. É criativo, entusiasta e compreensivo com os demais.  Prepotente, pode ser intolerante e dogmático. Tende a interferir quando não deve.”

Forte capacidade de “auto expressão”. Pretensão à autoridade, Amor ao poder… Concentra energia… “Vibração permanente de energia e lealdade. Auto expressão criativa da alma.”

Poderoso, soberano, símbolo solar e luminoso… Se ele é a própria encarnação do Poder, da Sabedoria, da Justiça, por outro lado, o excesso de orgulho e confiança em si mesmo faz dele o símbolo do Pai, Mestre, Soberano que, ofuscado pelo próprio poder, cego pela própria luz, se torna um tirano, crendo-se protetor. Pode ser admirável, bem como insuportável: entre esses dois polos oscilam suas numerosas acepções simbólicas.

As frases acima não foram retiradas de biografias de Fidel Castro, mas de compêndios de astrologia.

Fidel Alejandro Castro Ruiz nasceu em Biran, Cuba, em 13 de agosto de 1926, portanto, sob o signo solar de Leão, dentro da astrologia ocidental tradicional.

Muitos amigos e amigas – mas principalmente os amigos – estranham quando converso um pouco sobre astrologia. Perguntam:

– Pôxa!!! Mas você acredita em astrologia?

Respondo, com naturalidade, para incredulidade de muitos:

– Não, não acredito em astrologia!!!

E já me ponho a explicar, para satisfazer a curiosidade alheia: como bom e profundo virginiano sou um cético, por ‘natureza’. Não acredito em astrologia. Uso a astrologia. A pergunta “Você acredita em astrologia?”, é tão impertinente quanto: ‘Você acredita em francês? Você acredita em inglês? Italiano?’

Astrologia é uma linguagem. Possivelmente, para mim, a mais rica para conhecer o ser humano. Uma linguagem criada e desenvolvia há muitos milênios, na qual nossas línguas e nosso ser estão mergulhados, em grande parte, inconscientes. Para explicar e entender o que se passa no interior do ser humano ela o faz olhando para o ambiente em que vivemos: o universo. Sustentada pelo axioma de que o microcosmo (ser humano) reflete o macrocosmo (universo), e pelo princípio da causalidade: nada acontece por acaso. Se algo nasce em determinado local e tempo, de alguma forma reflete a hora e lugar que surgiu; de alguma forma reflete o ‘momentum’ daquele fenômeno.

Sempre fico surpreso como ‘coincidem’ as características expressas em um mapa natal com as pessoas com quem convivo e conheço um pouco mais interiormente.

E, com o tempo, aprendi a conviver, na dúvida, com ela, que muitos a definem como a ciência que estuda a qualidade do tempo; dimensão que a ciência moderna tradicional só quantifica, mas não o qualifica.

Alguns aspectos de minha personalidade só consigo expressar adequadamente através da linguagem astrológica.

Agora faço dela, a astrologia, um mote para homenagear, como disse Lula, o “maior herói das Américas do século XX”.

MINHA HOMENAGEM À FIDEL

A morte de Fidel Castro, aos 90 anos, não pegou ninguém de surpresa. A muito ela se anunciava e ele e Cuba, já a esperavam preparados.  Mas quando uma luz dessa intensidade se esvai, sempre projeta uma sombra de pesar.

Como muitos sou seu admirador pela coragem de enfrentar o maior império do mundo com altivez e liderar o povo cubano a superar a miséria, a ignorância, a desigualdade e doença.

Mas é impossível não reconhecer – além das qualidades leoninas que saltam aos olhos, uma delas expressa em seu próprio nome: fidelidade, coragem, generosidade, justiça, honra, sedução, heroísmo, liderança – os aspectos negativos do Leão nele presentes: dogmatismo, autoritarismo, inflexibilidade (certa teimosia), gosto pelo poder.

Àqueles que acham que sua morte deva significar a morte do socialismo em Cuba, não sabem que apesar de as sociedades humanas necessitarem de líderes, esses são forjados por elas, por desenvolverem, junto com suas comunidades, as qualidades necessárias para a realização de seus desideratos, seus desejos.

Foto: Fidel Castro discursando em Havana, 1978. Marcelo Montecino/Wikipdia.

Foto: Fidel Castro discursando em Havana, 1978. Marcelo Montecino/Wikipedia.

Sempre quando converso com alguém sobre o signo de Leão, cito Fidel Castro como o ‘arquétipo de Leão”. Fisicamente além do porte viril, ostenta, orgulhosamente, até a própria ‘juba’ do Leão.

Leão é signo regente da Casa V, casa dos filhos (teve 6 ou 7); casa do namoro (foram vários sempre mantidos sob certa reserva como exige a estima à honra e à dignidade leoninas) ; da auto expressão (discursos de até 7 horas consecutivas!!!, precisa mais?). A partir do enraizamento profundo e a identificação com os valores sociais, culturais da terra natal (Casa IV), a Casa V representa a expressão da alma, a alegria de vier, a criação, a luta pela sua realização. E a verdadeira realização se dá só quando o fazemos coletivamente.

Mas não é possível entender Fidel Castro – especialmente os aspectos mais severos ligados à sua vida, que fazem com que muitos meios de comunicação no Brasil, insistam em chama-lo de ditador – sem entender o contexto em que, junto com o povo cubano, lutou para terem uma vida digna.

Não teriam sobrevivido, ele e a nação cubana (digna desse nome), não tivessem imposto medidas duras de vigilância e repressão a opositores dentro e fora do país. Como não sobreviveram Jango Goulart, Salvador Allende, etc. Foram cerca de 600 atentados contra sua vida. Sem apoio da maioria do seu povo, Cuba e Fidel, jamais teriam resistido à 50 anos de violento e cruel embargo econômico; jamais teriam sobrevivido à extinção da União Soviética, de quem boa parte de sua economia era então dependente.

Como generoso, altivo e corajoso líder popular, não lutou junto com seu povo apenas para superar os fatores sociais, políticos e econômicos que produziam a miséria e a subserviência; mas também colaborou para libertação de outras nações especialmente na África. Também era comum a presença de médicos e técnicos cubanos participando voluntariamente no enfrentamento de grandes desastres naturais em todas a partes do mundo.

Sua eloquência verbal e capacidade de motivar era tanta – sempre me intrigou não como alguém consegue falar horas seguidas, mas como consegue manter ouvintes atentos por tanto tempo, se realmente não falar aos corações das pessoas – que durante meus 60 anos de existência nunca me lembro de ter visto nossa mídia dominante tradicional brasileira, sempre super crítica ao ‘ditador comunista’ (nunca explicaram como ele era mantido no poder tanto tempo, que logicamente não era só pela força política e das palavras, mas pelos votos dos delegados do Partido Comunista desde as bases nos bairros), nos dar o prazer (ou pelo menos matar a curiosidade) de assistir sequer 5 (cinco) minutinhos de alguns de seus longos discursos.

Quem conheceu e conhece Fidel, pessoalmente ou por sua história, pode até não gostar dele, mas é impossível deixar de admirá-lo, pois seu brilho, como o do Sol regente de signo de Leão, para uns ilumina e elimina as trevas da miséria e da ignorância, enquanto que para outros ofusca as possibilidades de liberdade individual e de auto expressão.

Nada nesse mundo é só bom; ou só ruim. O mesmo Sol que elimina as trevas, sempre projeta alguma sombra, talvez, exceto no deserto.

Mas meu coração bate mais forte e feliz quando me vem a imagem e a história de Fidel!!! Mais um ateu, (como Darcy e o próprio Marx) profundamente arraigado à valores cristãos (não todos, é óbvio), dos quais, paradoxalmente, bebeu e afastou-se em virtude de sua formação em colégios católicos na infância e na juventude.

O povo e a história já o absorveram e absolveram. Que Deus o tenha!!

 

Fonte: http://acaoastrologica.blogspot.com.br

Fonte: http://www.pd4pic.com

Fonte: https://pt.wikipedia.org

 

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