DAEE adverte: estiagem na região será ainda pior em 2015

DAEE adverte: estiagem na região será ainda pior em 2015

Nos primeiros 15 dias deste mês choveu apenas 20% dos 274 milímetros da média histórica de janeiro

Sem vida: lagoa em Serrana secou e peixes morreram (foto: Sergio Masson / Especial)

Sem vida: lagoa em Serrana secou e peixes morreram (foto: Sergio Masson / Especial)

O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) de São Paulo prevê para 2015 uma estiagem ainda pior que a do o ano passado.

A má previsão, segundo o diretor regional do órgão, Carlos Eduardo Alencastre, é baseada na baixa quantidade de chuva registrada nos últimos dois meses. Ele diz que a chuva segue abaixo da média e o calor acima.

Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) em dezembro de 2014 choveu 180 milímetros, sendo que a média histórica é de 250 milímetros. Já nos primeiros quinze dias deste ano, Ribeirão registrou apenas 50 milímetros de chuva. Menos de 20% do esperado para o mês, que tem média histórica de 274 milímetros.

Para Alencastre, as cidades da região só vão escapar da falta de água “se chover muito nos meses de fevereiro e março e se houver um planejamento eficaz do município para enfrentar os momentos críticos”.

O período mais propenso ao racionamento de água na região, segundo o especialista, é a partir de agosto. “Até agora choveu menos que a média histórica e o volume da precipitação não conseguiu recuperar reservatórios e mananciais. Mesmo as cidades assistidas pelo Aquífero Guarani, se não tiver planejamento, terão o rebaixamento da reserva e falta de água pelo excesso do consumo no calor”, advertiu Alencastre.

Tempo seco
Mas a meteorologista Daniele Lima, do Climatempo, afirma que as notícias não são boas para a região. Para janeiro, ainda são aguardadas pancadas de chuva no final da próxima semana, porém elas terão volume de água insignificante.

“No Brasil, nossos verões costumam ser quentes e úmidos. Desde o verão do ano passado nós temos tido verões quentes, porém, menos úmidos por conta do avanço de sistemas de alta pressão no oceano.”
Segundo Daniele, as chuvas de fevereiro e março devem ficar abaixo da média histórica e a expectativa é de que ela só se torne mais regular no final de março e no início de abril.

Cravinhos já está com racionamento

O calor de 35ºC e o aumento do consumo de água fez com que Cravinhos entrasse em racionamento de água em seis bairros da cidade.

O superintendente do Departamento de Água de Cravinhos, Cláudio Cairo, diz que o racionamento é feito de acordo com o nível do reservatório de cada bairro e tem afetado, principalmente, O Jardim Alvorada, o João Berbel I, II e II, o bairro das Acácias e o bairro Francisco Casilho.

“Nessa época de muito calor é inevitável adotarmos esses critérios. Nós produzimos 24h, nossa capacidade de captação sobe de 550 metros cúbicos por hora para 1.100 metros cúbicos por hora.” De acordo com ele, desde dezembro o racionamento tem sido pontual. “Nós desligamos às 12h e a água volta por volta das 17h”, diz.

Dona Eunice Rodrigues Losan, 65 anos, nunca sabe quando vai ficar sem água no período da tarde em seu bairro. Por conta disso, ela mantém um tambor cheio para os dias em que as torneiras ficam secas.

“Acabo usando essa água para lavar alguma roupa e louça. Tem que conseguir fazer de tudo um pouco”, diz a aposentada.

Cassilda Eugênia Martins, 49 anos, diz que já se acostumou a ficar sem água no período da tarde. “Por isso eu coloquei mais uma caixa d’água de 500 litros na minha casa, mas além disso eu peço para todo mundo em casa usar com consciência. É um estresse chegar em casa cansada, com todo o serviço para fazer e não ter água.”

Dono de um bar no bairro Francisco Castilho, James Henrique Oliveira, 26 anos, não tem caixa d’água. “Quando acaba eu tenho que pedir emprestado para o vizinho” (Mariana Lucera).

Em Ribeirão,  falta d’água é constante

Moradores do bairro Paulo Gomes Romeu, zona Oeste de Ribeirão, já se acostumaram a viver sem água. Nos fins de semana, principalmente aos sábados, a água termina no início da tarde e só volta à noite.

Para contornar o problema, a dona de casa Erica Kelly do Prado, 31 anos, instalou dois tambores nos fundos da casa para captar água da chuva para lavar roupa, quintal e outros serviços domésticos.

“É o que me socorre. Coloco cloro nessa água para não dar dengue e tento economizar a água da caixa para poder ter água no fim de semana”, diz.

A dona de casa Velma Lúcia Ferreira, 38 anos, afirma que já ficou sem água duas vezes nesta semana.  “Você tem que correr para fazer os serviços de casa no período da manhã. É complicado ficar sem água”, conta.

A moradora Maria Nunes, 31 anos, não se conforma de ficar sem água durante as tardes quentes e aos fins de semana enquanto ficou dois meses com um vazamento na frente da casa. “Liguei durante dois meses para o Daerp vir arrumar, jorrava água e quando chegava sábado a gente não tinha água na torneira”, conta a moradora da rua José Antônio Bernardes.

Em nota, o Daerp diz que o bairro em questão enfrenta falta de água pontual e que Ribeirão não vive hoje situação de racionamento.

A autarquia diz que capta, hoje, 260 metros cúbicos por dia e o consumo atual é de 256 metros cúbicos diários.

fonte: Jornal A Cidade Marcelo Fontes e Mariana Lucera

Luze Azevedo

um Santista, vivendo e aprendendo a jogar; nem sempre ganhando; nem sempre perdendo; mas, aprendendo a jogar!

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